sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Lindemberg é condenado a mais de 98 anos de prisão pela morte de Eloá


Às 18h52 (horário do Recife) de ontem, depois de quatro dias de julgamento, a Justiça de São Paulo condenou Lindemberg Alves Fernandes a 98 anos e 10 meses de prisão, além de 1.320 dias-multa (que somam cerca de R$ 20 mil). O rapaz de 25 anos que assassinou a ex-namorada Eloá Pimentel, na época com 15 anos, depois de mantê-la em cárcere privado por 100 horas foi considerado culpado por 12 crimes. Além de matar Eloá, pesaram sobre Lindemberg duas tentativas de homicídio (contra Nayara Pimentel, amiga da garota, e o policial Atos Valeriano), cárcere privado das duas meninas e mais dois amigos, e quatro disparos de arma de fogo. Mesmo a pena total beirando 100 anos, a legislação brasileira não permite que ninguém fique preso por mais de 30. A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, anunciou que pedirá a anulação do júri nos próximos cinco dias. De mãos juntas, como em uma oração, a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, agradeceu a sentença. “Nunca vou ter minha filha de volta, nada vai suprir a minha dor, mas foi feita a justiça porque ele vai ficar preso para refletir o que ele fez e não fazer com outras pessoas”, afirmou Ana Cristina. 

Considerando o tempo mínimo para a progressão do regime fechado para o aberto (dois quintos no caso de homicídio e um sexto para os demais crimes), Lindemberg ficará atrás das grades por pouco mais de 27 anos. O cálculo chega a 30 anos e meio, mas ele está preso há 3 anos e quatro meses. A pena total, entretanto, deve cair quando a defesa recorrer da decisão, acredita o jurista Luiz Flávio Gomes. Segundo ele, a punição foi colocada em nível máximo devido ao clamor social do caso. “Não é a praxe judicial tanta severidade. Não fosse a interferência da mídia, um caso semelhante resultaria em pena de 40 anos, em média”, afirma Gomes.

A promotora Daniela Hashimoto definiu Lindemberg como um rapaz “mentiroso, manipulador e dissimulado”: “É esse rapazinho, bonzinho, coitadinho, arrependido, que veio aqui pedir perdão. Ele fez um pedido sincero em frente à mídia, mas é uma pessoa que simula e é dissimuladora”. 

Logo após o julgamento, a juíza Milena Dias requisitou ao Ministério Público que apure a declaração da advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, que, ao ter um pedido negado, disse à magistrada: “Você precisa voltar a estudar”. A juíza considerou que houve crime contra a honra. A frase, segundo ela, foi proferida de “forma jocosa, irônica e desrespeitosa”








DP

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