Para o diretor do Depecon da Fiesp, Paulo Francini, com todas as turbulências no Exterior, crescer 2,6% já estará de bom tamanho. O professor de Economia Sandro Maskio, da Universidade Metodista, que espera alta do PIB brasileiro em ritmo semelhante ao de 2011, afirma que a crise europeia deverá refletir na redução do fluxo do comércio externo e no aumento do nível médio de taxa de juros no Exterior. "Se houver recessão na zona do Euro, isso nos afeta."
O endividamento nos países europeus também deve acirrar a concorrência dos produtos estrangeiros no mercado nacional. Para a CNI, o País precisa melhorar a competitividade para permitir aos produtos brasileiros enfrentarem os asiáticos tanto internamente quanto nas exportações.
A entidade avalia que, apesar disso, haverá crescimento, por causa de investimentos em obras para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016, a queda da inflação e o arrefecimento da valorização cambial. Mas a expansão ficará aquém do desempenho de países como a China (que deverá crescer 9%).
Eventualmente, as dificuldades no Velho Continente podem até gerar efeitos favoráveis. "Há muitas indústrias, que, por causa da crise da zona do Euro, estão transferindo plantas para países emergentes", diz o diretor da regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, Shotoku Yamamoto.
DEMANDA - E existem outros fatores a nosso favor. Segundo o professor de Economia Alcides Leite, da Escola Trevisan de Negócios, as medidas adotadas pelo governo federal (como a redução da taxa básica de juros) deverão surtir efeito positivo nos juros ao consumidor a partir do segundo trimestre. Ele acrescenta que o País tem espaço de manobra para driblar a piora no cenário internacional. "Os juros ainda são altos, e o depósito compulsório dos bancos é elevado", assinala.
Também deve repercutir favoravelmente, em três ou quatro meses, a ligeira melhora de cerca de 10% no câmbio - a valorização do dólar frente ao real que foi a R$ 1,85 a partir de novembro, depois de girar em torno de R$ 1,65 ao longo do ano.
Por causa da volatilidade (altos e baixos) do câmbio, as empresas ainda não contabilizaram essa mudança, afirma Paulo Francini.
País tem de elevar nível de investimento
O consumo das famílias deve se manter como propulsor da economia em 2012, segundo especialistas. No entanto, o País tem dificuldade em crescer em ritmo mais forte, acima de 4%, por causa do baixo nível de investimentos, avalia o professor Sandro Maskio, da Universidade Metodista.
Enquanto países como os Estados Unidos têm taxa de investimentos que correspondem a 25% do Produto Interno Bruto, e a China registra índice de 40%, o Brasil em 2010 alcançou 18,34%. "É preciso um fluxo (de recursos) sólido, caso contrário não conseguirá alcançar crescimento sustentável e vamos ficar condenados a crescer de 3% a 4%", afirma.
O professor Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, tem avaliação semelhante. Ele considera que o governo tem consciência da importância de investir e de ter também rigor fiscal continuado.
No entanto, há oportunidades que podem ser aproveitadas em consequência da larga escala de consumo, migração da classe pobre para a classe média, deficit habitacional e obras de infraestrutura para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, avalia Wander Brugnara, presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e do Contribuinte. "Se o governo fizer seu dever de casa, como reduzir o gasto público, manter reservas suficientes que tranquilizem o sistema financeiro e reduzir as taxas básicas de juros, o ambiente Brasil será propício para investimentos e oportunidades", diz.
Fonte:Grande ABC
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