segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Robôs saem da ficção e se tornam realidade




Se hoje quase ninguém vive sem computador, smartphone e tablet, não vai demorar para que um novo item entre na lista dos brinquedinhos eletrônicos pessoais: robôs humanoides. Bill Gates, o fundador e ex-CEO da Microsoft, previu que, até 2015, todo mundo terá um androide para chamar de seu. Pode não ser tão cedo assim, mas o certo é que empresas de robótica estão correndo para lançar o primeiro modelo comercial.

Recentemente, uma das maiores fabricantes de humanoides, a Aldebaran Robotic, anunciou uma nova geração de seres com inteligência artificial, desenhados com fins de pesquisa e educação, mas com potencial para se tornarem “o melhor amigo do homem”. O Nao Next Gen é um simpático bonequinho que faz lembrar a empregada doméstica dos Jetsons, mas, nem de longe, se parece com os robôs de Blade Runner. Apesar de pequeno e com jeito de brinquedo, é poderoso.

Graças a câmeras desenvolvidas com a tecnologia reprogramável FPGA (sigla para field-programmable gate array), ele tem “olhos de lince”: reconhece faces e objetos mesmo na penumbra. Equipado com um software chamado Nuance, o robô identifica a voz e consegue, em uma frase ou uma conversa inteira, pinçar uma palavra específica. Ele anda rapidamente e é bem articulado. Por isso é capaz de se afastar de obstáculos. Seus sensores táteis permitem que reconheça e pegue objetos e, claro, o Nao é tão bonitinho que dá vontade de ter um igual.

Desde que lançou a primeira geração do Nao no mercado, há três anos, a Aldebaran vendeu cerca de 2 mil robôs humanoides. Os principais compradores são escolas, onde o bonequinho faz bastante sucesso, mas o fundador da empresa, Bruno Maisonnier, diz que, desde que imaginou a Aldebaran, sua ideia era criar algo com aplicações mais amplas. “Com a próxima geração do Nao, talvez sejamos capazes que ajudar associações que cuidam de crianças autistas e de pessoas que perderam sua autonomia. Criei a empresa em 2005 com esse objetivo: contribuir para o bem-estar da humanidade”, diz, por meio da assessoria de imprensa. “Graças a muitos anos de pesquisa e diálogo com a comunidade científica e com os usuários, chegamos a uma geração com um alto nível de interação homem-robô. Estamos trabalhando agora no desenvolvimento de aplicações especializadas, com esse foco no bem-estar.”

CérebroO pesquisador da Universidade de Munique Stefan Glasauer, neurologista que investiga a motricidade, diz que um dos problemas ainda não resolvidos pelos fabricantes de robôs humanoides é reproduzir o que faz o cérebro: escolher um movimento específico para determinada situação, entre tantas opções disponíveis. A equipe que lidera, no Centro Berstein da cidade alemã, está desenvolvendo um modelo matemático que prediz movimentos horizontais com alto grau de precisão. “Nossos cálculos poderão ajudar a ensinar os humanoides a executar movimentos e, dessa forma, facilitar a interação com os robôs, mas preciso dizer que ainda estamos em uma fase muito inicial e que, embora com bons resultados, ainda não há aplicação comercial”, afirma.

Melhorar o movimento e a aparência dos robôs humanoides é o objetivo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia, que estudam como tornar a comunicação não verbal entre humanos e androides o mais natural possível. “Quando eles se movem em um estilo mais ‘humano’, com um movimento levando ao outro, as pessoas não apenas reconhecem melhor o que estão fazendo, mas se sentem mais próximas”, explica Michael Gielniak, estudante de pós-doutorado do instituto, que está fazendo um estudo a respeito. “Os movimentos humanos são fluidos e dinâmicos; já o dos robôs são espasmódicos, com muitas paradas e recomeços. Queremos que os humanos interajam com os robôs da mesma forma como se relacionam com as pessoas”, diz.

No laboratório de Máquinas Socialmente Inteligentes do instituto, Gielniak capturou uma série de movimentos humanos e os programou em um robô chamado Simon. Ele também incrementou as peças que funcionam como “juntas” nos androides, de forma que se movessem mais suavemente. “Quando mostramos para as pessoas um vídeo do Simon desempenhando várias tarefas, elas conseguiam identificá-las facilmente. Temos de trazer mais vida ao movimento dos robôs, antes que eles se tornem um produto de uso doméstico, porque, quando chegarmos a essa fase, queremos que as pessoas simplesmente esqueçam que eles são máquinas. Para mim, essa é a nova geração de robôs humanoides”, explica.

Companhias para idosos
Uma das aplicações futuras da robótica será a companhia a idosos, segundo pesquisadores da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido. Lá, o especialista em tecnologia para reabilitações Farshid Amirabdollahian coordena um projeto chamado FP7, cujo objetivo é desenvolver um robô que ajude a desempenhar as atividades domésticas. Entre os cientistas que participam do programa está Kerstin Dautenhahn, um famoso estudioso da interação entre “robôs de companhia” e humanos. Um dos feitos de Dautenhahn é o robô Kaspar, que sorri, pisca e movimenta os braços, e é utilizado como coadjuvante na terapia de crianças com síndrome de Down e distúrbios do espectro autistas.

Durante três anos, os pesquisadores de Hertfordshire vão realizar pesquisas com idosos para avaliar suas necessidades e aceitação do robô como parte de um ambiente doméstico inteligente. Com os resultados na mão, poderão desenvolver tecnologias que se adaptem às exigências particulares desse usuário.  Nosso objetivo é usar o robô para aumentar a independência e a qualidade de vida. A relação que imaginamos entre o usuário e o robô é de coaprendizado, de assistência mútua. Assim, o idoso não se sente dominado pela tecnologia, mas fortalecido por ela”, contou Hertfordshire, na apresentação do projeto. A pesquisa terá como base o projeto da União Europeia Lirec FP7, que desde 2008 desenvolve robôs para assistência doméstica. (PO)
Por Paloma Oliveto, DO CORREIO BRAZILIENSE

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