sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Ópera de rua recria nascimento de Jesus com trilha ao vivo, no Recife

História do nascimento de Jesus vira ópera de rua no Marco Zero (Divulgação)



Esqueça trenó, renas, neve e Papai Noel. Em Pernambuco, esses símbolos natalinos famosos no mundo todo foram substituídos pela originalidade da cultura popular nordestina na hora de celebrar o nascimento do menino Jesus. A partir de sexta-feira (23) até o domingo (25), sempre às 20h, o Marco Zero, no Bairro do Recife, receberá o “Baile do Menino Deus – uma brincadeira de Natal”, espetáculo ao ar livre inspirado nas tradições locais, que deve atrair mais de 60 mil espectadores. A entrada é de graça.
Baile do Menino Deus (Foto: Divulgação)No Marco Zero, "Baile do Menino Deus" conta com trilha executada ao vivo (Foto: Divulgação)
A montagem, criada há 28 anos, há oito é apresentada em formato de cantata: a trilha sonora é executada ao vivo por orquestra, coro adulto e infantil, além da participação de cantores solistas. Este ano, estão escalados para cantar Silvério Pessoa, Virgínia Cavalcanti, Jadiel Gomes e Renata Rosa. Somados aos atores e bailarinos, 80 pessoas sobem ao palco para contar a história de Mateus, que anda seguido por uma trupe de crianças.
Eles procuram uma casa onde nasceu um menino. Ao encontrarem a residência, a porta está fechada. Depois de mil peripécias, que inclui a participação de personagens como a burrinha Zabilin, a ciganinha, o anjo bom, o sol, a lua, a estrela e o monstro Jaraguá, os donos da casa aparecem: José e Maria. Mateus, então, pede licença para realizar um grande baile, que nada mais é que a festa natalina, em louvor ao nascimento do menino Deus.
Espetáculo é inspirado em figuras da cultura popular nordestina (Foto: Divulgação)Espetáculo é inspirado em figuras da cultura
popular nordestina (Foto: Divulgação)
O texto e as letras das canções são de Ronaldo Correia de Brito e Assis Lima. As músicas, de Antônio Madureira. O espetáculo surgiu em 1983, quando os parceiros queriam criar uma obra que fugisse dos "natais enlatados". “Acredito que cada lugar deve ter um espetáculo seu, que combine com a sua cultura. Nós somos tão ricos que não temos que copiar ninguém. Nosso Natal não precisa ter trenó, renas, neve falsa, aquele Papai Noel do comercial. O nosso Natal é quente, nordestino, brasileiro e ibérico”, defende o autor e diretor Ronaldo Correia de Brito.

Essas características são encontradas na trilha sonora recheada de ritmos regionais, como o maracatu, caboclinho, frevo e marcha de bloco, e na coreografia, com reisado e pastoril, além da concepção cênica inspirada nos tradicionais autos natalinos, conhecidos pelas pastorinhas.
Inicialmente,o Baile foi lançado como disco pelo selo Eldorado - hoje, é distribuído pela gravadora Trama. Atualmente, há centenas de montagens de teatro e dança espalhadas pelo Brasil. Se é possível inovar o espetáculo após tantos anos em cartaz, Ronaldo Correia de Brito responde: “sempre mudamos algo no cenário, nas coreografias, trocamos intérpretes, mas não podemos mudar muito, pois as pessoas querem sentir aquela mesma emoção que sentiram ao vê-lo pela primeira vez”, explicou.

Durante a temporada no Recife, a nova edição do livro "Baile do Menino Deus", com ilustrações do mineiro Flávio Fargas, estará à venda.

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