segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Mortalidade por câncer de mama diminui no Sudeste e cresce no Nordeste

Quando as mulheres notam os nódulos, quase sempre o câncer já está em estado avançado
Um estudo realizado pela rede Goiana de Pesquisa em Mastologia traz uma boa notícia para residentes do Sudeste do país: a diminuição da mortalidade de mulheres com câncer de mama nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul no período de 1980 a 2009. Ns Estados do Paraná, de Santa Catarina e em Minas Gerais, o número segue estável. O levantamento, no entanto, alerta para a necessidade de cuidados nos Estados do Nordeste, como Piauí, Maranhão e Paraíba, que apresentam aumento da mortalidade pela doença.
 “O câncer de mama representa a principal causa de morte por câncer em mulheres no Brasil e no mundo. Sabe-se que o país apresenta importantes diferenças sociais e se faz necessário observar as questões das desigualdades espaciais, de renda e de oportunidades para refletir a realidade”, aponta Carolina Maciel Reis Gonzaga, fisioterapeuta do Programa de Mastologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFC). Ele é responsável pelo levantamento, que teve a coordenação do médico mastologista Ruffo de Freitas Junior, também professor da UFC.
“Usamos a nossa expertise para analisar as tendências da mortalidade por câncer de mama feminino no Brasil, em suas macrorregiões e Unidades da Federação, de acordo com as faixas etárias de risco”, explicou Ruffo.  O trabalho ganhou o 3º lugar no Prêmio Roche em Câncer de Mama na última semana de outubro, durante o XVII Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, realizado em Gramado de 26 a 29 de outubro. Neste mês também é comemorado o “outubro rosa”, movimento mundial na luta do combate ao câncer de mama. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, internacionalmente, a luta contra o câncer de mama.
O estudo utilizou informações sobre óbitos de câncer de mama cadastradas no sistema de Informações em Mortalidade e os dados da população residente pelos censos do Instituto Brasileiro Geografia e estatística (IBGE). No período de 1980 a 2009 foram notificados 213.486 casos de óbitos por câncer de mama entre as mulheres brasileiras.  “Percebemos importantes diferenças regionais em seus índices de mortalidade por câncer de mama entre as mulheres, reproduzindo o que acontece no mundo”, diz Ruffo.
“Embora a região Sudeste, a mais desenvolvida do país, apresente as maiores taxas de mortalidade, quanto analisada a tendência temporal, observa-se um padrão de queda, como as tendências observadas em grande parte dos países desenvolvidos nos últimos 25 anos”, conta Gonzaga. “Por outro lado, o Nordeste, região de médio e baixo desenvolvimento, destaca-se uma tendência de aumento, como em países da África e Ásia”, acrescenta ela. “Tratar deste tema no Brasil significa observar sempre as questões geográficas, econômicas e sociais."
O estudo pretende fornecer subsídios científicos para as tomadas de decisões para regiões como o Nordeste. “Embora os Brasil deva ser visto como um todo - a prioridade de ações de prevenção deverá ser realizada para áreas menos desenvolvidas”, acredita Gonzaga.
Mamografia
Os estudiosos acreditam que os resultados estão muito ligados ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de desenvolvimento.  Para eles, a queda da mortalidade nos estados de SP, RJ e RS, se deve às campanhas de autoexame e ao diagnóstico precoce da doença, geralmente realizados nos Estados onde as mulheres têm mais acesso a mamografia.
“No meu Estado, Goiás,  existem 103 aparelhos de mamografia, sendo que 50% deles na capital, em Goiânia, e os outros em várias cidades. Tem mulheres que precisam se deslocar 400 km para fazer uma mamografia”, exemplifica Ruffo. “A mamografia deve ser descentralizada”, sugere o médico.
A mamografia, radiografia da mama, permite a detecção precoce do câncer, ao mostrar lesões na fase inicial (medindo milímetros). A mamografia é realizada por um aparelho chamado mamógrafo. Nele, a mama é comprimida de forma a obter melhores imagens e, portanto, ter mais capacidade de um diagnóstico precoce. A lei 11.663 de 2008, estabelece que todas as mulheres têm direito à mamografia a partir dos 40 anos.
A mamografia é considerada pelos médicos, o exame ideal de prevenção para o câncer de mama e também como um método de diagnóstico, quando já há a suspeita da existência de uma anomalia. “Isso sim impacta na mortalidade, ajudando a reduzir em 30%”, diz Rita Dardes, diretora médica do Instituto Avon e professora afiliada do Departamento de Ginecologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Isso não significa que as mulheres devam sair correndo para fazer a mamografia. É uma informação que serve de alerta para as mulheres ficarem atentas ao próprio corpo e solicitar do médico o exame de mamografia no tempo certo. Existe um fluxograma indicado pelo Ministério da Saúde que deve ser seguido, pois é baseado em pesquisas de rastreamento.
O câncer de mama é relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce progressivamente, principalmente após os 50 anos de idade. Por isso, a mamografia deve ser realizada nas mulheres a cada 2 anos quando se atinge os 50 anos. Isso quando a paciente não é considerada de alto risco, que são aquelas mulheres que tiveram históricos de casos de câncer de mama ou nos ovários em familiares de 1º grau, como mãe, irmã ou filha, câncer de mama em homens da família ou uma lesão precursora do câncer de mama, denominada de hiperplasia atípica das mamas, que pode ser notado em exames de rotina. Nestes casos, a mamografia deve ser feita anualmente nas mulheres a partir dos 35 anos.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais freqüente em todo mundo e é mais comum nas mulheres. A cada ano, surgem 22% de novos casos. No Brasil o número de mortes pela doença ainda é considerado elevado, muito provavelmente porque a doença é diagnosticada em estágios avançados. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%.
















Fonte:UOL

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