Esta é a sexta vez que ele recebe o mais elevado título concedido pelas
universidades a personalidades eminentes, que tenham se destacado pelo notório
saber ou pela atuação de destaque em áreas como artes, ciências ou causas
humanitárias.
Na sessão solene, Lula disse que a Bahia é o "Estado símbolo da construção da
nacionalidade brasileira" e citou a participação do povo baiano em revoltas
populares importantes para a construção da democracia no País, a exemplo da
Revolta dos Alfaiates, na proclamação da Independência da Bahia, na Revolta dos
Malês, na Sabinada, na Abolição da Escravatura, na Guerra de Canudos e na luta
contra a ditadura militar.
"Quando eu comecei no sindicalismo, meu apelido era 'baiano', e eu tinha
muito orgulho dele porque muitos baianos foram protagonistas de causas
democráticas e nem por isso a luta e o sangue fizeram da Bahia um lugar triste e
o Pelourinho, símbolo de arte e cultura, é um exemplo disso. Admiro a capacidade
de luta e superação do povo baiano, por isso, agradeço e me sinto honrado com
esta homenagem inesquecível", disse o ex-presidente.
Emocionado, Lula dedicou o título "a todos aqueles que contribuíram com a
educação do Brasil, alicerce para a igualdade social" e, surpreendido por uma
multidão de estudantes que invadiram a cerimônia para ovacioná-lo, Lula também
dedicou a honraria a eles. Os estudantes aproveitaram a presença da reitora da
UFBA, Dora Leal Rosa, do governador do Estado, Jaques Wagner (PT), e do prefeito
João Henrique (PP) e a homenagem a Lula para protestar por melhores condições de
infraestrutura para as universidades brasileiras. "É correto, mas temos que
estudar com seriedade essas reivindicações", limitou-se a dizer Lula.
Em um discurso emocionado, o ex-presidente relembrou os oito anos de seu
mandato, quando, segundo ele, "o Brasil se voltou para a democratização do
ensino superior e o investimento em educação triplicou de R$17 bilhões, em 2003,
para R$65 bilhões", em 2010, atendendo, principalmente, a estudantes de baixa
renda. O ex-presidente citou, ainda, outros feitos de seu governo para o
desenvolvimento da Educação, como a criação de 14 novas universidades federais,
e sinalizou a continuidade de políticas estratégicas de Educação no governo
Dilma. "Dilma vai fazer em 4 anos quase o que fizemos em oito", comparou, em tom
de brincadeira.
A autora do pedido de titulação para o ex-presidente, a professora Maria
Victoria Gonzalez, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH) citou o
poeta espanhol Antônio Machado para dizer que Lula foi, enquanto presidente da
República, "a água e a sede do povo brasileiro". Ela disse que, graças às
políticas públicas do governo Lula voltadas para educação, "os excluídos, os
invisíveis puderam saciar a sede pelo conhecimento".
Em outubro de 2002, apenas três dias após ser eleito presidente da República
pela primeira vez, o Conselho Universitário da instituição decidiu pela outorga
do título por unanimidade em regime de votação secreta. A reitora da UFBA
justificou outorga: "os conselheiros entenderam que a biografia de Lula
representa uma contribuição para um Brasil livre e democrático porque, além de
ter sido o primeiro presidente do País a emergir das camadas sociais, do
operariado, ele lutou pela constituição de uma verdadeira e sólida cidadania
para os brasileiros", afirmou a reitora, citando trecho do parecer do
processo.
A sessão solene de outorga do título contou, ainda, com a presença do
presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, além de intelectuais e
comunidade acadêmica
Fonte:Terra
Fonte:Terra
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