
Ampliando a gama de modelos do seu inovador triciclo Can-Am Spyder, a BRP, divisão de produtos recreativos da Bombardier, trouxe para o Brasil em 2011 a versão RS-S. Com pintura fosca em todo o veículo, spoilers dianteiros, rodas de liga leve de seis pontas e assento diferenciado, o Spyder RS-S aposta nesse visual diferenciado para parecer mais esportivo. Porém, na prática e mecanicamente, não traz novidades. A mesma arquitetura em Y – com duas rodas na dianteira e uma roda motriz na traseira – é equipada com muita tecnologia embarcada para segurar a fúria do propulsor de dois cilindros em V.
Feito para quem quer experimentar uma nova forma de pilotar ou simplesmente para quem quer convencer a mulher (ou a namorada) a subir na garupa e viajar, o Spyder RS-S traz diversos sistemas eletrônicos, como controles de estabilidade - para evitar capotagens ou trajetórias erradas em curvas -, controle de tração - para evitar derrapagens na roda traseira - e eficientes freios a disco com sistema ABS acionados por um pedal, mas que atuam nas três rodas.
Aprendizado
Feito para quem quer experimentar uma nova forma de pilotar ou simplesmente para quem quer convencer a mulher (ou a namorada) a subir na garupa e viajar, o Spyder RS-S traz diversos sistemas eletrônicos, como controles de estabilidade - para evitar capotagens ou trajetórias erradas em curvas -, controle de tração - para evitar derrapagens na roda traseira - e eficientes freios a disco com sistema ABS acionados por um pedal, mas que atuam nas três rodas.
Aprendizado
Toda a eletrônica e a preocupação com a segurança fizeram com que a BRP exigisse entregar o veículo em uma rua calma para que seu representante me desse uma “aula” sobre como pilotá-lo. Apesar do excesso de cautela, são realmente necessárias algumas dicas para ligar o Spyder. Ao girar a chave, uma mensagem de segurança na tela de LCD exige que você pressione a tecla Mode, localizada no painel ou no punho esquerdo. Só então é possível dar a partida no motor. Mas ainda não é possível sair: antes é preciso soltar com o pé o freio de estacionamento, localizado atrás da pedaleira esquerda.
A partir daí, basta engatar a marcha no câmbio sequencial de cinco velocidades e acelerar. Não com muito ímpeto, pois o motor Rotax de dois cilindros em V e 998 cc tem torque de sobra. E nem todo o aparato eletrônico evita uma cantada de pneu, caso o piloto exagere na dose ao girar o acelerador. O pneu traseiro canta e deixa uma marca de borracha no asfalto em arrancadas mais ousadas. Algo um pouco perigoso, mas, vale dizer, bem divertido.
As trocas de marchas no câmbio sequencial são feitas por botões no punho esquerdo: não há embreagem, mas o câmbio não é automático, e o piloto precisa subir as marchas. Na hora de reduzir, pode relaxar. Conforme a velocidade diminui ou os freios são acionados, o sistema reduz para uma marcha adequada – até chegar à primeira em caso de parada. As trocas são suaves, desde que feitas nas rotações adequadas. Caso tente esticar demais as marchas ou reduzir bruscamente, o câmbio dá trancos. Há ainda marcha à ré para manobrar os 317 kg a seco e os mais de 2,6 m de comprimento.
A partir daí, basta engatar a marcha no câmbio sequencial de cinco velocidades e acelerar. Não com muito ímpeto, pois o motor Rotax de dois cilindros em V e 998 cc tem torque de sobra. E nem todo o aparato eletrônico evita uma cantada de pneu, caso o piloto exagere na dose ao girar o acelerador. O pneu traseiro canta e deixa uma marca de borracha no asfalto em arrancadas mais ousadas. Algo um pouco perigoso, mas, vale dizer, bem divertido.
As trocas de marchas no câmbio sequencial são feitas por botões no punho esquerdo: não há embreagem, mas o câmbio não é automático, e o piloto precisa subir as marchas. Na hora de reduzir, pode relaxar. Conforme a velocidade diminui ou os freios são acionados, o sistema reduz para uma marcha adequada – até chegar à primeira em caso de parada. As trocas são suaves, desde que feitas nas rotações adequadas. Caso tente esticar demais as marchas ou reduzir bruscamente, o câmbio dá trancos. Há ainda marcha à ré para manobrar os 317 kg a seco e os mais de 2,6 m de comprimento.

Eletrônica embarcada garante segurança do modelo, que tem arquitetura em forma de Y (Divulgação)
Estabilidade
Estabilidade
Embora aparente ser muito estável, o Spyder é arisco demais nas mudanças de direção. Aqui vale ressaltar minha inexperiência com triciclos: já pilotei motos e quadris, mas em veículos de três rodas foi minha estreia. Nos primeiros quilômetros, mexia demais o guidão. As respostas no trem dianteiro são instantâneas e chegam a assustar no início, mesmo em retas.
Com o passar do tempo, percebi que tinha de ser um pouco mais suave ao guidão do Spyder. A partir daí, pude brincar um pouco mais para testar o desempenho do motor Rotax com injeção eletrônica. Com 107 cv de potência máxima declarada (a 8.500 rpm), o V2 demonstra bastante vigor e mantém com facilidade 130 km/h. A aceleração, quando se reduz uma marcha, também chama atenção. O torque de 10,6 kgfm a 6.250 rpm leva em poucos segundos o veículo a 150 ou 160 km/h. A velocidade máxima ficou em 190 km/h. Mais que suficiente para viajar com segurança. Já o consumo se assemelhou ao de um automóvel: em torno de 12,5 km/l – o tanque tem capacidade para 27 litros.
Nas curvas é que se sente mesmo a eletrônica entrando em ação. Caso você exagere na velocidade ou acelere cedo demais, é possível perceber o VSS (Vehicle Stability System, sistema de estabilidade do veículo) entrar em ação para corrigir a trajetória. O sistema corta a ignição do motor, a velocidade diminui e é possível retomar o controle do triciclo. De série em todas as versões, a tecnologia embarcada me pareceu fundamental para que qualquer um possa pilotar o Spyder. Na minha opinião, caso não houvesse tal sistema, a pilotagem, principalmente em curvas, exigiria certa destreza do piloto.
Com o passar do tempo, percebi que tinha de ser um pouco mais suave ao guidão do Spyder. A partir daí, pude brincar um pouco mais para testar o desempenho do motor Rotax com injeção eletrônica. Com 107 cv de potência máxima declarada (a 8.500 rpm), o V2 demonstra bastante vigor e mantém com facilidade 130 km/h. A aceleração, quando se reduz uma marcha, também chama atenção. O torque de 10,6 kgfm a 6.250 rpm leva em poucos segundos o veículo a 150 ou 160 km/h. A velocidade máxima ficou em 190 km/h. Mais que suficiente para viajar com segurança. Já o consumo se assemelhou ao de um automóvel: em torno de 12,5 km/l – o tanque tem capacidade para 27 litros.
Nas curvas é que se sente mesmo a eletrônica entrando em ação. Caso você exagere na velocidade ou acelere cedo demais, é possível perceber o VSS (Vehicle Stability System, sistema de estabilidade do veículo) entrar em ação para corrigir a trajetória. O sistema corta a ignição do motor, a velocidade diminui e é possível retomar o controle do triciclo. De série em todas as versões, a tecnologia embarcada me pareceu fundamental para que qualquer um possa pilotar o Spyder. Na minha opinião, caso não houvesse tal sistema, a pilotagem, principalmente em curvas, exigiria certa destreza do piloto.

Acelerar com força é garantia de emoção - e algum perigo - no Can-Am Spyder RS-S (Doni Castilho/InfoMoto)
Identidade
Identidade
Nem carro, nem moto, o triciclo Can-Am Spyder parece sofrer de certa crise de identidade. Para pilotá-lo, no Brasil, é necessário carteira de habilitação categoria A, ou seja, para motocicletas. A lei – e o bom senso também – exige então o uso de capacete. Porém, na hora de passar o pedágio em rodovias, o veículo é tributado como automóvel de passeio. Com seu design inusitado em forma de Y, a própria BRP evita chamá-lo de triciclo, e prefere a nomenclatura roadster.
O Spyder sofre ainda com certo preconceito. Rodei cerca de 300 km e encontrei alguns motociclistas em paradas e postos de combustível. A maioria diz que o Spyder é feito para quem tem medo de moto. Porém, não concordo plenamente com a ideia, pois a pilotagem não é assim das mais simples: exige certa familiaridade com guidões.
A proposta do Spyder é ser um veículo diferente para viajar: conta até com um pequeno porta-malas na dianteira. Com isso em mente, ponto negativo para o pequeno para-brisa da versão RS-S. Na estrada o vento incomoda demais e faz muito barulho. Se você optar por essa versão, reserve algum dinheiro para investir em um para-brisa maior na vasta lista de opcionais do modelo.
Imponente e chamativo, o Can-Am Spyder RS-S, versão mais esportiva e top de linha da família RS, custa praticamente o mesmo que uma moto esportiva: R$ 63,9 mil (sem frete). A escolha fica por sua conta: três é demais?
O Spyder sofre ainda com certo preconceito. Rodei cerca de 300 km e encontrei alguns motociclistas em paradas e postos de combustível. A maioria diz que o Spyder é feito para quem tem medo de moto. Porém, não concordo plenamente com a ideia, pois a pilotagem não é assim das mais simples: exige certa familiaridade com guidões.
A proposta do Spyder é ser um veículo diferente para viajar: conta até com um pequeno porta-malas na dianteira. Com isso em mente, ponto negativo para o pequeno para-brisa da versão RS-S. Na estrada o vento incomoda demais e faz muito barulho. Se você optar por essa versão, reserve algum dinheiro para investir em um para-brisa maior na vasta lista de opcionais do modelo.
Imponente e chamativo, o Can-Am Spyder RS-S, versão mais esportiva e top de linha da família RS, custa praticamente o mesmo que uma moto esportiva: R$ 63,9 mil (sem frete). A escolha fica por sua conta: três é demais?
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