A aceleração das vendas de motos no país a partir de 2004 vai levar
a fabricantes de duas rodas instaladas aqui a bater 20 milhões de
unidades produzidas desde 1975, quando se deu início à montagem de motos
no Brasil.
Boa parte desse crescimento se deve ao desempenho das vendas no
Nordeste brasileiro. Antes ignorado pela maioria das empresas, agora o
solo nordestino é a menina dos olhos de qualquer executivo com intenções
de vender algum produto no país.
Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas,
Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) mostram que
em cinco anos, de 2005 a 2010, a participação do Nordeste nas vendas de
motos no Brasil cresceu quase 15 pontos percentuais, passando de 20,3%
para 34,2%.
Já o Sudeste, antes o "eldorado" para vendas de veículos, passou de
39,8% em 2005 para 34,1% no ano passado, uma queda de cerca de 6 pontos
percentuais.
Uma das razões para o aumento das vendas de motos no Nordeste é
justamente o aumento da renda na região, o que levou a motocicleta ao
posto de verdadeiro carro popular nordestino.
"A mudança do cenário do ambiente rural, com a substituição dos
tradicionais animais de transporte por modernas motocicletas, a
precariedade de algumas estradas da região, além do significativo
crescimento do poder de compra dos habitantes da região, permitiram que
esse mercado se fortalecesse", afirma o diretor comercial da Moto Honda
Amazônia, Roberto Akiyama.
Segundo ele, há uma tendência de crescimento nas vendas de motos no
Nordeste do país. Para se ter uma ideia, entre o ano 2000 e 2010,
verificou-se um aumento de 266% na venda de motos na região, ao passo
que a média nacional para o mesmo período foi de 185%, bem inferior ao
verificado nos estados nordestinos.
"Diante deste panorama, podemos afirmar que o Nordeste pode
ultrapassar em breve o Sudeste em termos de vendas", ressaltou o
executivo que também é presidente da Abraciclo.
E para não perder o bonde, a Honda, que hoje é líder de vendas no
país, com cerca de 80% de participação, está ampliando a capacidade
produtiva em Manaus de 1,5 milhão para 2 milhões de unidades por ano.
"No primeiro semestre, nossas vendas ao público ficaram 13% acima do
mesmo período do ano passado. Além disso, para o médio e longo prazo, é
natural prever um aumento do número de revendas, acompanhando a demanda
aquecida na região."
Até agosto, pelos dados da Abraciclo, a Honda comercializou no país 1,10 milhão de motos e produziu 1,14 milhão de unidades.
"No Brasil como um todo a demanda vem crescendo significativamente,
mas o ritmo do Nordeste é superior. Em vendas, a região Norte ficou em
183%, muito próxima da nacional. E o Sul/Sudeste e Centro-Oeste
observaram um crescimento muito significativo, de 147%, porém menor do
que o do Nordeste", ressaltou Akiyama.
Habilitados X frota
O aumento na venda de motos não se traduz no crescimento do número de carteiras de habilitação no Nordeste.
Segundo dados do Denatran e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), até abril de 2011, 3.178.667 pessoas possuíam habilitação
na categoria A no Nordeste, sendo que a frota duas rodas na região é de
4.151.487 motocicletas.
"Os números não mentem. Quase um milhão de pessoas conduzem o veículo
de duas rodas sem carteira de habilitação. O problema da segurança no
trânsito, seja na região Nordeste ou em qualquer outra do país, se
resume em duas palavras: fiscalização e educação", disse Moacyr Paes,
diretor da Abraciclo.
Fonte:BrasilEconomico