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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Nordeste sofre com baixo índice de doadores de medula. Em Pernambuco, 42 aguardam transplante

Criado há onze anos, o banco de dados para doadores de medula óssea no país contabiliza hoje 2,3 milhões de cadastros - menos da metade do considerado ideal por especialistas. O número é o terceiro maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (cinco milhões) e da Alemanha (três milhões).

Porém, apesar da representativide em termos mundiais, o número de cadastros no país ainda é considerado insuficiente para garantir o tratamento de pacientes com doenças sanguíneas, cânceres e imunodeficiências à espera de um transplante de medula no Brasil. Estatisticamente, a chance de um paciente encontrar hoje um doador compatível entre os cadastrados é de uma para cada 60 mil medulas. Para melhorar essa relação, o Brasil precisaria ter pelo menos cinco milhões de inscritos no cadastro nacional.

Na região Nordeste, o quadro é ainda mais preocupante. O número de doadores cadastrados na região representa apenas 14% do total do banco nacional. Destes, 62 mil são pernambucanos, o equivalente a 3,9% entre os inscritos no como doadores de medula em todo o país.

O crescimento do número de doadores cadastrados se deu por conta do intensos investimento realizado em campanhas desde a criação do Registro Brasileiro de Candidatos Voluntários a Doação de Medula Ossea (Redome), no ano 2000. Desde então, foram R$ 673 milhões investidos, mas o quadro ainda está longe de ser considerado ideal.

"Prioritariamente, o que necessitamos dentro de um registro de doadores voluntários é a representação de todos os grupos étnicos brasileiros. Nos Estados Unidos, já há esse estímulo para que todos os grupos étnicos tenham a representação proporcional nos registros de doadores voluntários”, opina o hematologista paranaense responsável pelo primeiro transplante de medula no país, em 1979, Ricardo Pasquini.

Além da questão do número de doadores, há também problemas estruturais que permitam o tratamento por meio do transplante no país. Dos 70 centros para transplantes de medula óssea, apenas 20 realizam o procedimento com doadores não-aparentados (entre eles o pernambucano Real Hospital Português)."Temos 70 centros de transplantes no Ppaís, mas apenas 12 fazem todas as modalidades. A maioria faz apenas o autólogo, quando é utilizado a própria célula do receptor”, afirma. Atualmente, 42 pernambucanos esperam, na fila de transplantes, por uma medula óssea compatível qa partir um doador não aparentado.

Jantar solidário - Para sensibilizar os potenciais doadores de medula óssea em Pernambuco, o Lions Clube e a Secretaria Estadual de Saúde promovem um jantar solidário em prol das obras assistenciais do clube. O jantar será realizado no próximo dia 23 de setembro, no Arcádia Paço Alfândega, às 20h. Na semana seguinte, de 26 a 30 de setembro, a Secretaria de Saúde volta a tratar sobre Medula Óssea em uma série de ações que incluem distribuição de panfletos nas principais avenidas do Recife e palestras de sensibilização, onde também será realizado o cadastro de doadores.

Para participar do jantar solidário, basta entrar em contato com a coordenadora da campanha, Suzana Cabral, pelo telefone (81) 9294.0558. Os ingressos custam R$ 100 por pessoa (mesa para 8, sai por R$ 800) e dão direito a buffer, bebidas não alcoólicas e um show privado do cantor Altemar Dutra Jr.. Já no que diz respeito às palestras, o evento será aberto ao grande público, tendo início a partir das 9h no auditório do Hemope.

Saiba mais

O transplante de medula óssea é indicado para o tratamento de doenças relacionadas a problemas no sangue e câncer, a exemplo de leucemias e linfomas, além de tumores sólidos, imunodeficiências ou doenças genéticas hereditárias e doenças auto-imunes.

Com o procedimento, a medula doente é substituída por células normais da medula de um doador sadio, incentivando sua regeneração. O processo de retirada da medula sadia é simples e não causa danos ao doador, justamente por conta da característica de autoreconstrução do órgão. Para se cadastrar no banco de doadores, basta ter cerca de 4 ml de sangue colhido, para amostra e testes de compatibilidade.

Onde se cadastrar como doador de medula óssea em Pernambuco

Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO - PE)

Rua Henrique Dias, IRH - Derby - Recife - PE

Telefone: 0800.281.21.85

Centro de Hematologia de Pernambuco - HEMOPE

Rua Joaquim Nabuco, 171 - Graças – Recife/PE

Telefone: (81) 3416-4723

Para consultar unidades do Hemope no interior do estado, clique aqui

HLA Diagnósticos - vinculado ao Instituto Hematológico do Nordeste (IHENE)

Rua Gonçalves Maia, 113 - Soledade - Recife

Telefone: (81) 3421.3387

Para organizar cadastro de doadores em sua escola ou empresa:

Amigos do Transplante de Medula Óssea

Rua Benfica, 1.103 - Sala 01 - Galeria Campolina Center - Madalena - Recife/PE

Telefones:(081) 3226-9508

Por Ed Wanderley

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Norte e Nordeste precisam de mais doadores de medula

As duas regiões são as mais deficitárias no banco dedados de medula óssea, de acordo com o médico Ricardo Pasquini, vencedor doPrêmio Conrado Wessel. Atualmente, o Brasil conta com 2,3 milhões de doadores.

“É complexo tratar do tema de maneira geral. Prioritariamente, o que necessitamos dentro de um registro de doadores voluntários é que haja representação de todos os grupos étnicos brasileiros”. Esta é a opinião do professor emérito da UFPR (Universidade Federal do Paraná) Ricardo Pasquini, hematologista paranaense pioneiro em transplantes de medula óssea no Brasil (a primeira cirurgia foi realizada em 1979, no Hospital de Clínicas da UFPR) e vencedor do Prêmio Conrado Wessel (2009), sobre o número de doadores que temos, atualmente, no país. De acordo com o médico, o banco dedados nacional ainda se concentra, em sua maioria, com doadores vindo das regiões Sul e Sudeste – cerca de 50% dos 2,3 milhões de doadores registrados.

No Brasil, por conta da miscigenação, há grande diferença entre a população das cinco regiões. “Nos Estados Unidos, já há esse estímulo para que todos os grupos étnicos tenham a representação proporcional nos registros de doadores voluntários, já que eles possuem diferenças como nós”.

Recentemente, uma família carioca realizou uma campanha popular para tentar aumentar o número de doadores de medula – o filho pequeno está com leucemia e não encontrou doador compatível. Para Pasquini, “iniciativas como essa são válidas, mas, infelizmente, o retorno é muito pequeno”. Outro problema que pode ocorrer, segundo o médico, é que, nestes casos, a maioria das pessoas se registra emcondições emocionais e não necessariamente se torna boa doadora, já que não foi suficientemente instruída. “Muitos rejeitam a doação, e são por vários motivos. Por isso, nesses grandes movimentos há necessidade que se fale para o doador e que ele entenda a importância”.

Problemas no transplante

Pasquini comenta que, no Brasil, ainda o maior problema está na realização do transplante. “A demanda ainda está muito além dos recursos para atendê-la. Temos mais de 60 centros de transplantes no País, mas destes, apenas 12 fazem todas as modalidades. A maioria faz apenas o autólogo, quando é utilizado aprópria célula do receptor”.

No Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, até a atualização mais recente, já foram realizados 2.300 transplantes. “O crescimento é progressivo, mas o que o caracteriza é que mais de 90% são alogênicos, que são mais complexos, e destes a maioria são de não-aparentados”.

Investimentos para aumento de transplantes

O vencedor do Prêmio Conrado Wessel de 2009 comentou que o investimento dos governos – Federal, Estadual e Municipal – deve ser feito na ampliação no número de leitos para não-aparentados. “Se os hospitais não forem remunerados corretamente, não haverá como fazer isso. Esta área está se tornando muito complexa e o custo é muito alto”.

Fundação Conrado Wessel

Assessoria de Imprensa:

Ricardo Viveiros & Associados
Oficina de Comunicação www.viveiros.com.br
Jornalista responsável: Marília Ramires
Assistente: Rodrigo Bocatti
Tel: (11) 3675-5444

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