Pesquisa recente do Conselho Federal de Medicina aponta que na região Nordeste há um grande déficit de médicos: uma média de 1 profissional para cada quase 1.500 habitantes. A média está muito aquém do que determina a Organização Mundial de Saúde - OMS que é de um profissional da área para 1000 habitantes. Para a direção do Conselho Piauiense, não faltam médicos no Piauí, mas uma má distribuição desses profissionais em todo o território, inclusive, nacional. "É um mal que não existe apenas no Piauí, mas em todo o país. Se verificarmos a pesquisa com cuidado, notaremos que na capital São Paulo existem mais médicos que na Europa, enquanto que no interior paulista não há o suficiente. Os Estados da região Norte e Nordeste sofrem com essa má distribuição", comentou o presidente do Conselho Regional de Medicina, médico Fernan-do Correia Lima.
De fato, a pesquisa mostrou que há grande concentração de médicos nas regiões Sudeste (1/455 habitantes), Sul (1/615 habitantes) e Centro-Oeste (1/640 habitantes). No sentido inverso, no Nordeste existe um médico para cada 1.063 habitantes e no Norte, a situação ainda é mais complicada: 1/1345 hab. No Piauí, há um médico para 1.420 habitantes, e no Estado vizinho, o Maranhão, a média é de um profissional para quase duas mil pessoas - a mais alta do país.
O Piauí tem hoje 3.128 médicos, sendo que sua maioria absoluta (2.390) atua em Teresina. Para o presidente do CRM-PI, a má distribuição acontece porque não existe uma política digna de interio-rização da saúde pública. "O poder público não dá ao médico condições de trabalho para que ele deixe a capital e vá trabalhar no interior. As unidades e postos de saúde do interior do Estado precisam de mudanças urgentes em toda a sua infraestrutura para que o médico tenha condições de trabalhar", disse.
A pesquisa, porém, apontou que o problema no Piauí e Maranhão não é de apenas má distribuição de médicos, mas da falta deles. O relatório do CFM diz ainda que há expectativa de que as altas relações médico/habitantes observadas nos dois Estados nordestinos sofram inversão acentuada com a implantação de mais cursos de Medicina, o que pode elevar o número de vagas/ano em 89% no Maranhão, e 180% no Piauí.
Para Fernando Correia Lima, apenas a criação de mais cursos de Medicina não resolve o problema. "Nós temos vá-rias faculdades que não formam profissionais dignamente, não têm locais de estágio e há uma grande deficiência de docentes", comentou.
Fonte: 180graus