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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Pesquisa aponta que região Nordeste tem grande déficit de médicos.

Pesquisa recente do Conselho Federal de Medicina aponta que na região Nordeste há um grande déficit de médicos: uma média de 1 profissional para cada quase 1.500 habitantes. A média está muito aquém do que determina a Organização Mundial de Saúde - OMS que é de um profissional da área para 1000 habitantes. Para a direção do Conselho Piauiense, não faltam médicos no Piauí, mas uma má distribuição desses profissionais em todo o território, inclusive, nacional.

"É um mal que não existe apenas no Piauí, mas em todo o país. Se verificarmos a pesquisa com cuidado, notaremos que na capital São Paulo existem mais médicos que na Europa, enquanto que no interior paulista não há o suficiente. Os Estados da região Norte e Nordeste sofrem com essa má distribuição", comentou o presidente do Conselho Regional de Medicina, médico Fernan-do Correia Lima.

De fato, a pesquisa mostrou que há grande concentração de médicos nas regiões Sudeste (1/455 habitantes), Sul (1/615 habitantes) e Centro-Oeste (1/640 habitantes). No sentido inverso, no Nordeste existe um médico para cada 1.063 habitantes e no Norte, a situação ainda é mais complicada: 1/1345 hab. No Piauí, há um médico para 1.420 habitantes, e no Estado vizinho, o Maranhão, a média é de um profissional para quase duas mil pessoas - a mais alta do país.

O Piauí tem hoje 3.128 médicos, sendo que sua maioria absoluta (2.390) atua em Teresina. Para o presidente do CRM-PI, a má distribuição acontece porque não existe uma política digna de interio-rização da saúde pública. "O poder público não dá ao médico condições de trabalho para que ele deixe a capital e vá trabalhar no interior. As unidades e postos de saúde do interior do Estado precisam de mudanças urgentes em toda a sua infraestrutura para que o médico tenha condições de trabalhar", disse.

A pesquisa, porém, apontou que o problema no Piauí e Maranhão não é de apenas má distribuição de médicos, mas da falta deles. O relatório do CFM diz ainda que há expectativa de que as altas relações médico/habitantes observadas nos dois Estados nordestinos sofram inversão acentuada com a implantação de mais cursos de Medicina, o que pode elevar o número de vagas/ano em 89% no Maranhão, e 180% no Piauí.

Para Fernando Correia Lima, apenas a criação de mais cursos de Medicina não resolve o problema. "Nós temos vá-rias faculdades que não formam profissionais dignamente, não têm locais de estágio e há uma grande deficiência de docentes", comentou.

Fonte: 180graus

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