Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Tia Suzana, meu amor


"Aquilo que vivemos não está no mundo, está na maneira como olhamos para ele". É o que nos diz o romancista português Antônio Alçada Baptista, autor de uma vasta obra. Tudo depende, então, dos significados que cada um atribui àquilo que viveu. Quem concorda com essa definição é Gabriel Garcia Márquez, que acrescenta, no entanto, mais duas dimensões, além do olhar: a memória e a capacidade de narrar.
- A vida não é aquela que uma pessoa viveu, mas a que ela recorda e como recorda para contá-la – escreveu o escritor colombiano.
Pensando bem, parece que os dois têm razão. Nossa vida acaba sendo isso mesmo: o que olhamos, o que lembramos e o que narramos. No frigir dos ovos, é a isso que a vida se reduz. Se não lembramos, se não narramos, não existiu. Se lembramos e narramos de uma determinada forma, é essa forma que prevalece. "The rest is silence", nas últimas palavras de Hamlet, antes de morrer. Ou "o resto é farofa de abobrinha", na tradução do meu sobrinho Pão Molhado, que gosta de filosofar.
Lembrei do Antonio Alçada agora, nesta semana em que celebramos a presença dos índios no Brasil, por causa de uma história que ele me contou, em 1982, a mim e ao escritor amazonense Márcio Souza, quando juntos o visitamos, em Lisboa, no Instituto Português do Livro do qual ele era, então, presidente.
Alçada, falecido há três anos, era um grande contador de história, divertido e sedutor. Escrevia, ainda, crônicas saborosas no jornal O Dia, do qual foi redator-chefe. O fato que nos contou ocorreu em uma viagem de turismo de barco que ele fez pelo sul do Mar Egeu com um grupo de amigos portugueses.
Numa das ilhas gregas, acho que era Creta, mas não tenho certeza, ele estava de pé, diante das ruínas de um palácio, conversando sobre o passado glorioso da Grécia com seus amigos. Foi aí que passaram vários turistas japoneses, disciplinados e em fila, ostentando suas filmadoras e máquinas fotográficas. Um deles parou, ficou escutando, olhava com insistência, fixamente, não desgrudava os olhos de Alçada. Os olhares dos dois se cruzaram. O japonesinho se aproximou e, demonstrando que havia entendido a língua que falavam, perguntou:
- Desculpa. Vocês são portugueses?
Diante da resposta afirmativa, o japonesinho colocou o polegar e o indicador na boca, emitindo um longo e estridente assobio para seus amigos que haviam se distanciado. Quando todo mundo virou a cabeça, ele gritou em português, com um sotaque do interior de São Paulo:
- Ei, pessoal! Voltem aqui! Encontrei um grupo dos nossos antepassados.  
O escritor contou que os portugueses explodiram em uma gargalhada generalizada, só em imaginar que eram avós daqueles "japoneses", de olhos puxados e pálpebras lisas. Logo depois, porém, os dois grupos se confraternizaram e a ficha caiu. Os "japoneses" eram todos brasileiros.
A ascendência reivindicada ali não se devia às características fenotípicas ou genéticas, mas à cultura, à língua. Aqueles filhos de imigrantes nipônicos que nasceram no Brasil acabaram assumindo plenamente a história do país, um passado que, embora não sendo deles, individualmente, nem de suas famílias, é da nação a qual eles pertencem.
Assumiram plenamente? Será? O que sobrou dessa história foi a pergunta: e se os brasileiros de origem japonesa tivessem encontrado um grupo guarani falando português, será que reivindicariam, igualmente, a descendência histórica? Provavelmente não, porque embora índios e africanos façam parte das matrizes formadoras da nacionalidade brasileira, nós fomos treinados, adestrados, para nos identificarmos exclusivamente com a matriz européia.
A exclusão da herança indígena na formação da brasilidade é um equívoco comumente reforçado pela escola, pelo livro didático e pela própria mídia. Esta visão eurocêntrica e preconceituosa foi reafirmada em vários momentos significativos de nossa história, como nas comemorações do Quarto Centenário do Descobrimento do Brasil, em 1900, quando no discurso de abertura, Paulo de Frontin disse com todas as letras que o Brasil nada tinha a ver com os índios.
- Os silvícolas não são nem podem ser considerados parte integrante da nossa nacionalidade; a esta cabe assimilá-los e, não o conseguindo, eliminá-los.
Depois disso, se reforçou ainda mais esse obscurantismo intelectual, que elimina o índio na representação que o Brasil faz de si mesmo. Esta imagem está baseada em outros preconceitos, como aquele que considera as culturas indígenas como atrasadas e primitivas, desconhecendo que os índios produziram e continuam produzindo saberes, ciências, arte refinada, literatura, poesia, música, religião.
Os colonizadores acreditaram nessa falácia, ignorando completamente a complexidade das culturas indígenas, o que foi internalizado pelos brasileiros que continuam se pautando em estereótipos e no senso-comum, sem levar em conta a contribuição dada no campo da antropologia.
Quando se aceita que os índios fazem parte de nossa história, se cultiva outro equívoco, achando que eles pertencem exclusivamente ao passado. É o índio de papel, dos arquivos e não o índio de carne e osso. Ora, os dados do Censo de 2010, divulgados no dia 19 de abril – dia do índio – pelo IBGE, mostram que em relação aos dois censos anteriores, a população indígena cresceu extraordinariamente, totalizando 817.630 indivíduos, que vivem em 4.480 municípios dos 5.565 existentes no Brasil.
Sobre esses equívocos é que estarei falando na próxima quinta-feira, na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio, no seminário "Brasil, brasis", coordenado por Domício Proença Filho, numa mesa redonda intitulada "O índio no Brasil contemporâneo", com a doutora Graça Graúna, professora da Universidade de Pernambuco. Trata-se de uma programação da ABL, iniciada em 2006, com encontros mensais que discutem os mais variados temas. Desta vez, são os índios.
E o que tudo isso tem a ver com a Tia Suzana, Meu Amor? Ah, esse é o título de um romance do Antônio Alçada sobre o qual eu queria comentar, mas o espaço se esgotou. Ele fala de Deus, da morte, do suicídio, do corpo, da mulher, do provincianismo, dos preconceitos de uma sociedade conservadora. Mas fica para outra vez. Prometo.
José Ribamar Bessa Freire e professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ) e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO).

domingo, 18 de setembro de 2011

Idoso de 90 anos tem 36 filhos com mulher, cunhada e sogra

Aparentemente, as sertanejas Francisca Maria da Silva, 89, Maria Francisca da Silva, 69, e Ozelita Francisca da Silva, 58, têm uma vida comum para quem mora no interior do Nordeste, dedicando todo o tempo para cuidar das casas onde vivem. Além do fato de serem mãe e filhas, as três dividem casa, comida e carinho com o mesmo marido há mais de 40 anos.

O agricultor aposentado Luiz Costa de Oliveira, 90, vive maritalmente com a mulher, com a cunhada e com a sogra no município de Campo Grande (270 km de Natal), e com as três teve nada menos que 36 filhos. Outros 17 vieram do primeiro casamento. Além da meia centena oficial, existem ainda outros três, dos quais ele não tem certeza da paternidade. Mas também não nega.

A filha mais nova de seu Luiz tem 13 anos, o mais velho, 54. A lista de membros da nova família Oliveira é extensa. A primeira mulher do trio, Maria Francisca, é mãe de 17 filhos. Em seguida, no segundo casamento com a irmã da esposa, Ozelita, foram mais 15. Para não perder a oportunidade, ainda fez um filho com a sogra, dona Francisca Maria. “Tempo desses apareceram mais três dizendo que ‘era’ meu, mas não tenho certeza, mas também não vou negar”, disse Oliveira.

Apesar da grande quantidade de filhos, apenas 38 estão vivos, e a maioria mora em Campo Grande. A lista de herdeiros aumenta com o número de netos. São 100 netos e 60 bisnetos.

Três mulheres

Seu Luiz conta que a relação com as três mulheres começou depois que ele ficou viúvo da primeira mulher e “se juntou” com Maria Francisca da Silva, a “Francisca Velha”. “Fiquei com 17 filhos para criar, e a ‘véia’ se prontificou a me ajudar. Logo depois começaram a vir os nossos filhos”, disse, explicando que a cunhada, Ozelita, vinha cuidar da irmã no período de resguardo e também dava assistência” a ele.

“Não escondo que sempre fui namorador. A melhor coisa do mundo é mulher, e meu divertimento era namorar. Preferi que meus namoros ficassem em casa, e elas se entenderam. Nunca houve uma briga, pois eu lembro muito bem que dava conta de todas, além de trabalhar muito na roça para sustentar todos os meus filhos. Nunca faltou nada para ninguém”, disse.

O homem conta que o início do namoro com a sogra também aconteceu no período de resguardo da mulher e da cunhada. Ele tem apenas um filho com ela. A cunhada e “segunda mulher” de Oliveira, Ozelita, conta que o segredo de dividir o marido é a união da família e o amor por igual que ele tem. “Nunca houve distinção. O jeito conquistador dele conseguiu a paz e a união da nossa família. A gente não tem ciúme porque a gente sabe da dedicação dele por todas nós”, disse, ressaltando que as três Franciscas não aceitariam dividir com mais outra pessoa o amor de Oliveira. “Ia ter briga se ele arrumasse uma amante, com certeza.”

Fonte:plenário


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Nordeste sofre com baixo índice de doadores de medula. Em Pernambuco, 42 aguardam transplante

Criado há onze anos, o banco de dados para doadores de medula óssea no país contabiliza hoje 2,3 milhões de cadastros - menos da metade do considerado ideal por especialistas. O número é o terceiro maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (cinco milhões) e da Alemanha (três milhões).

Porém, apesar da representativide em termos mundiais, o número de cadastros no país ainda é considerado insuficiente para garantir o tratamento de pacientes com doenças sanguíneas, cânceres e imunodeficiências à espera de um transplante de medula no Brasil. Estatisticamente, a chance de um paciente encontrar hoje um doador compatível entre os cadastrados é de uma para cada 60 mil medulas. Para melhorar essa relação, o Brasil precisaria ter pelo menos cinco milhões de inscritos no cadastro nacional.

Na região Nordeste, o quadro é ainda mais preocupante. O número de doadores cadastrados na região representa apenas 14% do total do banco nacional. Destes, 62 mil são pernambucanos, o equivalente a 3,9% entre os inscritos no como doadores de medula em todo o país.

O crescimento do número de doadores cadastrados se deu por conta do intensos investimento realizado em campanhas desde a criação do Registro Brasileiro de Candidatos Voluntários a Doação de Medula Ossea (Redome), no ano 2000. Desde então, foram R$ 673 milhões investidos, mas o quadro ainda está longe de ser considerado ideal.

"Prioritariamente, o que necessitamos dentro de um registro de doadores voluntários é a representação de todos os grupos étnicos brasileiros. Nos Estados Unidos, já há esse estímulo para que todos os grupos étnicos tenham a representação proporcional nos registros de doadores voluntários”, opina o hematologista paranaense responsável pelo primeiro transplante de medula no país, em 1979, Ricardo Pasquini.

Além da questão do número de doadores, há também problemas estruturais que permitam o tratamento por meio do transplante no país. Dos 70 centros para transplantes de medula óssea, apenas 20 realizam o procedimento com doadores não-aparentados (entre eles o pernambucano Real Hospital Português)."Temos 70 centros de transplantes no Ppaís, mas apenas 12 fazem todas as modalidades. A maioria faz apenas o autólogo, quando é utilizado a própria célula do receptor”, afirma. Atualmente, 42 pernambucanos esperam, na fila de transplantes, por uma medula óssea compatível qa partir um doador não aparentado.

Jantar solidário - Para sensibilizar os potenciais doadores de medula óssea em Pernambuco, o Lions Clube e a Secretaria Estadual de Saúde promovem um jantar solidário em prol das obras assistenciais do clube. O jantar será realizado no próximo dia 23 de setembro, no Arcádia Paço Alfândega, às 20h. Na semana seguinte, de 26 a 30 de setembro, a Secretaria de Saúde volta a tratar sobre Medula Óssea em uma série de ações que incluem distribuição de panfletos nas principais avenidas do Recife e palestras de sensibilização, onde também será realizado o cadastro de doadores.

Para participar do jantar solidário, basta entrar em contato com a coordenadora da campanha, Suzana Cabral, pelo telefone (81) 9294.0558. Os ingressos custam R$ 100 por pessoa (mesa para 8, sai por R$ 800) e dão direito a buffer, bebidas não alcoólicas e um show privado do cantor Altemar Dutra Jr.. Já no que diz respeito às palestras, o evento será aberto ao grande público, tendo início a partir das 9h no auditório do Hemope.

Saiba mais

O transplante de medula óssea é indicado para o tratamento de doenças relacionadas a problemas no sangue e câncer, a exemplo de leucemias e linfomas, além de tumores sólidos, imunodeficiências ou doenças genéticas hereditárias e doenças auto-imunes.

Com o procedimento, a medula doente é substituída por células normais da medula de um doador sadio, incentivando sua regeneração. O processo de retirada da medula sadia é simples e não causa danos ao doador, justamente por conta da característica de autoreconstrução do órgão. Para se cadastrar no banco de doadores, basta ter cerca de 4 ml de sangue colhido, para amostra e testes de compatibilidade.

Onde se cadastrar como doador de medula óssea em Pernambuco

Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO - PE)

Rua Henrique Dias, IRH - Derby - Recife - PE

Telefone: 0800.281.21.85

Centro de Hematologia de Pernambuco - HEMOPE

Rua Joaquim Nabuco, 171 - Graças – Recife/PE

Telefone: (81) 3416-4723

Para consultar unidades do Hemope no interior do estado, clique aqui

HLA Diagnósticos - vinculado ao Instituto Hematológico do Nordeste (IHENE)

Rua Gonçalves Maia, 113 - Soledade - Recife

Telefone: (81) 3421.3387

Para organizar cadastro de doadores em sua escola ou empresa:

Amigos do Transplante de Medula Óssea

Rua Benfica, 1.103 - Sala 01 - Galeria Campolina Center - Madalena - Recife/PE

Telefones:(081) 3226-9508

Por Ed Wanderley

Capa de Jornais

Seguidores

Eventos e Premiações

Leia mais...

Arte e Cultura

Leia mais...

Educação

Leia mais...

Polícia

Leia mais...

Transito

Leia mais...