O
uso de frutos da pupunha para alimentação humana e ração animal será
tema de uma das mesas-redondas programadas para o 1º Seminário
Brasileiro da Pupunheira (Simbrap), que será realizado de 27 a 30 de
setembro no Centro de Convenções Luis Eduardo Magalhães, em Ilhéus, a
433 quilômetros ao sul de Salvador. O evento reunirá especialistas e
pesquisadores nacionais e estrangeiros, além de produtores e
representantes da cadeia produtiva da pupunha – palmito, frutos e
madeira do estipe da pupunheira.
Organizada
pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria
com a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Secretaria de
Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia (Seagri) e
Fundação Pau Brasil, o evento é apoiado por instituições públicas
federais, estaduais, municipais e do agronegócio palmito-pupunha. A
expectativa de público é estimada em 400 pessoas, já que o seminário
está aberto a universitários dos cursos de Agronomia, Zootecnia,
Biologia, Nutrição, Medicina e Medicina Veterinária, dentre outros.
Ao
todo, 28 palestras com pesquisadores convidados e 10 apresentações
orais na área temática palmito, frutos e madeira serão proferidas,
segundo a coordenadora do 1º Simbrap Maria das Graças Conceição Parada
Costa Silva, pesquisadora da Ceplac no Centro de Pesquisas do Cacau
(Cepec). Além disso, haverá exposição de 28 pôsteres com trabalhos
técnicos e o lançamento do livro “Palmeiras para Produção de Palmito”,
organizado pelo pesquisador da Embrapa Álvaro Figueiredo, com a
participação de Cirino Corrêa Junior e Edinelson José Maciel Neves.
No
Sul da Bahia, as plantações de palmito se estendem desde Itaji, no
sudoeste, a Belmonte, no litoral. O que limita a expansão de cultivos é
escassez de sementes. Atualmente há entre quatro e cinco mil hectares de
pupunha na Bahia. Em 1982, a Ceplac recebeu as primeiras sementes de
pupunha para fins de pesquisa na Estação Experimental Lemos Mais, no
município de Una.
Naquela
época, o palmito de pupunha não estava em evidência porque a
preferência era pelo palmito de juçara ou de açaí, nativos e de
extrativismo. Mas agora o de juçara só pode ser colhido se tiver Plano
de Manejo, caso contrário é crime por estar na lista de espécies em
extinção. O que se pode aproveitar é o fruto para produção de polpa à
semelhança do açaí. O preço por haste colhida para produção de palmito
de pupunha varia entre R$ 1,00 e R$ 1,50 e o agricultor pode colher até
10 mil hastes por hectare, a partir do segundo ou terceiro corte da
palmeira.
A
massa da pupunha é rica em betacaroteno e carboidratos, sendo alimento
rico e de primeira qualidade. Apesar da falta de tradição de consumo do
fruto, o uso experimental da farinha de pupunha começa a ser
desenvolvido, a partir de um tratamento adequado, com o aproveitamento
desse alimento para se produzir tudo o que se faz com o milho, a exemplo
de mingaus, bolos, biscoitos, e sucos.
O
Centro de Pesquisas do Cacau da Ceplac realiza pesquisa conjunta com a
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) para aproveitamento da
farinha de pupunha na alimentação de frangos, enriquecendo a ração
animal, a exemplo de experiências com o uso de frutos, já em andamento
na Costa Rica. Com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
Baiano (IF Baiano), se estuda a silagem de frutos e o processamento da
pupunha para fabricação de amido, para uso em pães e biscoitos.
As
inscrições para o evento podem ser feitas na página da Ceplac na
Internet. O 1º Simbrap conta com o apoio da Embrapa, IF Baiano, Banco do
Nordeste, Senar, Sebrae, Seagri, EBDA, ADAB, Bahiatursa, Federação da
Agricultura do Estado da Bahia (Faeb), Associação Brasileira de
Horticultura, Sociedade Brasileira de Fruticultura, Prefeituras de
Camamu, Ilhéus, Itabuna, Una e Uruçuca, Inaceres Agrícola, Coopalm,
Palmitos Cultiverde, Grupo Gabrielli, e Viveiros Flora do Vale.
Jornalista ACS/Ceplac/Sueba
Luiz Conceição
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